Por que eu também tenho um coração!

Perdida. Levou sua mão ao peito para ver se ainda sentia o coração. Não o sentiu, estava morto. Tentava de qualquer jeito reanima-lo, até que notou que já não havia motivos para tal. Não era o fim que a preocupava, mas sim o novo começo. Era tão fechada.
Começou a imaginar que tudo seria diferente, mesmo sabendo que não havia diferença suficiente para mudar aquilo que sentia. Era teimosa. Extremista, talvez.
Sabia que aquilo era o certo, mas não o queria, tinha se apegado tanto às velhas lembranças que quase esquecia o quanto aquilo a fazia sofrer. E como sofria... Seu coração estava dilacerado.
Gostava de sonhar. Pensava que um dia teria alguém para dividir as alegrias.
As tristezas não, as tristezas guardava só para si num ato de puro egoísmo. Não as dividia com ninguém nem tinha tal desejo. Eram só suas.
Sentia-se presa, “claustrofobica” no seu próprio eu. Tinha asco de estar por baixo de sua pele. Não gostava de ser quem era, de sentir o que sentia, de falar o que falava...
Pensou em mudar, tentar ser um novo alguém, fazer tudo diferente. Impossível. Estava presa até o fim a sua velha ideologia. Não tinha esperanças. Era frustrante.
Eram 10:00 horas da manhã quando ela finalmente acordou, sentindo um forte enjôo ela correu para o banheiro e vomitou. Apoiou-se na pia e começou a chorar, pensou no por que de tudo aquilo, por que tanta dor. Não encontrou respostas.
Levantou a cabeça até enxergar o espelho, olhou fundo para seus próprios olhos e foi então que chegou a conclusão de que estava viva. Tão viva que seus ossos até doíam. Limpou as lagrimas e num tom imponente gritou consigo mesma:
- Tente ao menos, criatura! Tente...
Foi então que sentiu algo estranho, uma forte paz ou talvez uma alegria fulminante. Não sabia explicar ao certo, um misto de morfina com endorfina.
Levou sua mão ao peito, assustada, e foi então que percebeu: seu coração tinha voltado a funcionar... Orquestrado, em harmonia.
Finalmente. Felizmente.
Escrito por Bruna Burck às 10h31
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